1. Introdução
No ano de 2001, iniciei a construção de um projeto de bicicleta reclinada com estrutura feita em madeira, a Ypê (clique aqui para conhecê-la). Durante a pesquisa de conceito para construí-la, fiquei bastante impressionado com a FlevoBike holandesa (tração dianteira e quadro articulado). Uma das razões que me fez desistir do conceito Flevo, foi a relatada dificuldade de aprendizado. Em um dos artigos que li a respeito, dizia-se que só um tipo de pessoa aprende a andar na Flevo com facilidade: Os monociclistas. Como nunca havia andado num mono, adiei o projeto... Mas a curiosidade ficou latente...
2. Idéias
Ao procurar saber mais sobre monociclos na Internet, conheci as principais marcas e suas características, mas a baixa popularidade dos monociclos no Brasil, fez com que eu não conseguisse ter a menor pista de onde achar um mono para comprar. A saída óbvia seria construir um e tentar fazê-lo com o máximo possível de peças ciclísticas, para diminuir custos. O ponto de partida foi um garfo ciclístico utilizado em BMX, por ser feito com tubos cilíndricos e não ser curvado como a maioria dos garfos é. Para adaptá-lo, bastaria serrar as gancheiras. Esse foi o ponto de partida.
3. O Eixo
Monociclos são quase desconhecidos no Brasil fora do meio circense. Conseqüentemente, eixos para monociclos são quase impossíveis de se encontrar. Minha saída foi criar meu próprio eixo. Foram duas tentativas. A primeira, aproveitava um cubo ciclístico parafusado ao eixo. Em teoria, deveria funcionar, mas o elevado torque nos pedais tornava impossível eliminar a folga que só aumentava a cada pedalada. O problema, só foi agravado com as manivelas de pedais. Usei na primeira versão, manivelas ciclísticas de 170 mm. A maioria dos monociclos, utiliza manivelas de 120 a 140 mm. Eu estava portanto com um excesso de quase 40% no torque aplicado ao eixo...
Para fazer um eixo, bastaria mandar tornear nas medidas certas uma peça de aço e nela soldar duas flanges. As extremidades do eixo, deveriam ser fresadas no formato quadrado, que é o atual padrão de montagem de manivelas de pedal.
4. Manivelas
A solução do problema das manivelas foi mais simples do que parecia a princípio. O menor conjunto de manivelas de pedal que havia encontrado media 150 mm, o que ainda era longo demais em comparação com os padrões disponíveis no exterior. Numa loja de bicicletas, olhei na prateleira e lá estava: Um conjunto de manivelas de pedal do ciclomotor Mobylette. Comprimento? 135 mm! Nada mal e totalmente dentro dos padrões internacionais. Só havia um problema... As manivelas da Mobylette são do tipo chavetado, considerado obsoleto para os padrões atuais. Analisado o problema, concluí que tais manivelas seriam a escolha ideal, pois é muito mais fácil produzir um eixo com chanfros para as chavetas do que um eixo com pontas quadradas.
5. Mancal
Nos garfos de monociclos, usualmente existe um mancal em cada extremidade para fixação dos rolamentos. Tal mancal quase sempre tem o formato de uma braçadeira bipartida com fixação por dois parafusos. Para tanto, a braçadeira deveria ser soldada ao garfo. Mas idealizei uma solução que dispensava a solda e que mostrou funcionar adequadamente. A solução é simples. Moldei as extremidades do garfo de forma a encaixarem-se nos rolamentos diretamente. Para fixar os rolamentos, uma contra-braçadeira e um parafuso em "U" fazem o serviço.
6. Desenhando
O eixo foi desenhado em CAD para orientar sua produção. Quem desenha um eixo, desenha o mono inteiro. A primeira forma então ficou assim...
 Vista Lateral
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 Vista Frontal
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 Perspectiva
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 Renderização |