1. Preparando o garfo

Um garfo BMX, é feito com tubos de secção cilíndrica e não apresenta a curva para a frente na região da gancheira. As gancheira no garfo BMX, é feita em chapa e soldada aos tubos. A primeira operação é portanto, cortar as gancheiras.
Garfo tipo BMX



Garfo com as gancheiras e pivôs removidos
O garfo que utilizei, não tem os pivôs de articulação para freios do tipo cantilever ou v-brake. Caso tivesse, sua retirada poderia ou não ser feita. Também é necessário executar um corte no topo do tubo superior do garfo, onde será instalada a braçadeira da blocagem.


O último passo na preparação do garfo, é conformar as extremidades das pernas, para o assentamento dos rolamentos. O assentamento, foi feito a topo, i.e., o rolamento apoia diretamente no tubo sendo preso por braçadeiras.
Diagramas (lateral e frontal) das extremidades do garfo



2. Construindo o Eixo

Não vou detalhar as duas primeiras versões (mal sucedidas diga-se de passagem...) do eixo do mono. Em ambas, tentei utilizar um cubo ciclístico modificado por remoção do eixo e rolamentos originais. Em ambas, uma folga permanente existia entre o eixo e o cubo, o que inviabilizava a utilização do mono. Após tais experiências frustradas, resolvi construir um eixo de acordo com fotografias. Se você estiver planejando a construção de um monociclo, não tente utilizar um cubo ciclístico adaptado...

Os eixos de monociclos, nada mais são que eixos simples com flanges soldadas a eles. Para fazer as flanges, utilizei arruelas com diâmetro interno de 5/8 de polegada e externo de 2 polegadas. Utilizei uma velha flange de cubo ciclístico de 2 polegadas de diâmetro como guia para a furação dos orifícios dos raios (18 orifícios por flange). Por mais complicado que possa parecer, na verdade é bem simples construir as flanges.

Desenhei o eixo que foi torneado a partir de um tarugo de aço carbono norma 1045 de 7/8 de polegada de diâmetro. As flanges foram soldadas ao eixo e o cordão de solda foi novamente torneado para ficar com um acabamento visualmente mais agradável. É importante lembrar que na soldagem das flanges, uma deve ficar 10 graus defasada da outra.


Diagrama do eixo pronto.


O padrão atual mais comum de manivelas de pedal, utiliza eixos com ponta de secção quadrada. Tornar as extremidades do eixo quadradas, envolveria uma operação de fresagem, o que encareceria o eixo. Adicionalmente, as manivelas de pedal mais adequadas para monociclos, têm comprimento da ordem de 125 mm e são inexistentes no mercado brasileiro. Encontrei então, manivelas do ciclomotor Mobylette da Caloi, que têm 135 mm de comprimento mas utilizam o sistema de fixação antigo, chavetado.

Tal característica porém, acabou tornando o trabalho mais simples, pois as ranhuras feitas nas extremidades dos eixos, são de fácil realização (eu as fiz usando uma simples lima), permanecendo as extremidades dos eixos de secção cilíndrica. O resultado final, pode ser visto no diagrama abaixo


Diagrama da extremidade do eixo com ranhura para a chaveta.


Pronto o eixo, bastou montar a raiação da roda (usei raios de aço inoxidável com cruzamento quádruplo), centrar e balancear.

3. O Selim

Selins de monociclos, são bastante especiais. Qualquer semelhança com selins de bicicletas, é mera coincidência. Numa vista lateral, podemos observar que o selim de monociclo é curvo para cima tanto na porção dianteira quanto na traseira.

O tubo ou canote do selim, também é especial, pois para suportar os esforços no selim, ele tem uma chapa curvada que apoia o selim adiante e atrás do ponto de fixação do tubo. Neste ponto, não tentei reinventar a roda... Comprei um selim pronto.